El Niño 2026–2027: como a Cartografia e os dados geoespaciais ajudam a monitorar seus impactos?
O monitoramento do El Niño 2026–2027 reúne esforços conjuntos de instituições como INPE, INMET, ANA, CEMADEN, SGB e SEDEC para acompanhar a consolidação do fenômeno no Oceano Pacífico Equatorial. A identificação desse aquecimento anormal baseia-se em dados observacionais coletados por uma rede que combina tecnologia de satélites e plataformas de superfície, como navios e boias, que medem a temperatura da superfície do mar, a pressão atmosférica e os padrões de vento. Com base nesses indicadores e em modelos acoplados oceano-atmosfera, estimam-se anomalias térmicas na região do Niño 3.4, fundamentando a emissão de boletins e notas técnicas de prevenção de riscos.
A previsão climática para o trimestre julho-agosto-setembro de 2026 indica um cenário de diferentes condições climáticas ao longo do território brasileiro. Enquanto a Região Sul apresenta maior probabilidade de precipitações acima da faixa normal, o centro-norte do país, com destaque para grande parte das regiões Norte e Nordeste, apresenta maior probabilidade de chuvas abaixo da média. Paralelamente, a maior parte do Brasil apresenta maior probabilidade de temperaturas acima da normal climatológica, com destaque para a faixa central do país. A combinação de temperaturas elevadas e precipitações reduzidas em áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste pode aumentar o potencial para episódios de ondas de calor e queimadas nos meses seguintes.

Para transformar esses prognósticos em ações práticas, o monitoramento contínuo acompanha os sistemas hídricos e a evolução das secas em diferentes escalas espaciais. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) monitora os níveis dos rios em comparação com médias históricas, enquanto o Monitor de Secas e os índices do Cemaden acompanham as condições de seca e o déficit hídrico. Essas informações permitem que a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e o Sinpdec articulem medidas antecipatórias de resposta para proteger populações vulneráveis e reduzir prejuízos em setores como a agricultura e o abastecimento de água.
Nesse contexto, a Cartografia e o Geoprocessamento desempenham um papel central ao traduzir volumes complexos de dados ambientais e de satélite em diagnósticos territoriais e mapas temáticos. Por meio da espacialização do risco, utilizando escalas de cores para representar o nível dos rios, condições de seca e áreas suscetíveis a deslizamentos ou inundações, a linguagem cartográfica permite representar espacialmente diferentes cenários e áreas de atenção. Assim, ferramentas como mapas interativos e representações geográficas tornam-se importantes para orientar o planejamento público, apoiar o direcionamento de recursos e contribuir para a redução dos impactos associados a eventos climáticos extremos.
Referências
Nota Técnica Nº 427/2026 — El Niño 2026/2027 - https://www.gov.br/cemaden/pt-br/assuntos/noticias-cemaden/cemaden-emite-nota-tecnica-sobre-o-el-nino-2026-2027/sei_mcti-13652591-nota-tecnica-el-nino-2026-cemaden.pdf/view




