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NASA apresenta novo mapa do relevo sob o gelo da Groenlândia: como é possível mapear áreas cobertas por gelo?

NASA Revela Relevo Oculto sob o Gelo da Groenlândia

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NASA apresenta novo mapa do relevo sob o gelo da Groenlândia: como é possível mapear áreas cobertas por gelo?

há 41 minutos
2 min de leitura

A NASA divulgou um novo mapa detalhado do relevo oculto sob a camada de gelo da Groenlândia. A ilha é coberta por um manto de gelo com cerca de 1,7 milhão de quilômetros quadrados e mais de 3 quilômetros de espessura em seu ponto mais espesso, mantendo grande parte da paisagem rochosa enterrada e inacessível à observação direta. O novo mapeamento revela características do terreno que permanecem ocultas sob essa extensa cobertura de gelo.


O estudo, liderado por cientistas da NASA e publicado na Geophysical Research Letters, identificou uma vasta rede de 1.943 vales subglaciais, incluindo estruturas que não haviam sido mapeadas anteriormente. Para isso, os pesquisadores utilizaram dados de satélite e um método capaz de identificar pequenas alterações na superfície do gelo provocadas pelo relevo abaixo dela, permitindo reconstruir a topografia existente sob a camada de gelo.


Relevo oculto sob o gelo da Groenlândia, com destaque para os longos vales identificados pelo novo método de mapeamento. Fonte: NASA Earth Observatory.
Relevo oculto sob o gelo da Groenlândia, com destaque para os longos vales identificados pelo novo método de mapeamento. Fonte: NASA Earth Observatory.

Como é possível mapear uma área coberta por quilômetros de gelo?

A resposta central para essa pergunta está em uma técnica chamada Análise de Perturbação do Fluxo de Gelo (Ice Flow Perturbation Analysis). Mesmo coberta por quilômetros de gelo, a superfície da Groenlândia apresenta pequenas alterações relacionadas ao relevo existente abaixo dela. Conforme o gelo se desloca lentamente sobre vales e elevações do leito rochoso, essas formas provocam sutis elevações, depressões e ondulações na superfície do gelo.


Para identificar essas variações, os pesquisadores utilizaram dados do satélite ICESat-2, da NASA, equipado com o sensor ATLAS (Advanced Topographic Laser Altimeter System). O instrumento utiliza altimetria a laser para medir a elevação da superfície do gelo com alta precisão. A partir dessas medições, os pesquisadores analisam as pequenas perturbações provocadas pelo relevo subglacial e aplicam modelagem matemática para reconstruir a forma do terreno localizado sob a camada de gelo. Dessa maneira, o relevo não é observado diretamente através do gelo: ele é mapeado a partir das alterações que suas formas produzem na superfície e no fluxo da camada de gelo.


A Cartografia vai além da representação de elementos que podem ser observados diretamente na superfície terrestre. Por meio da integração de dados obtidos por sensores, técnicas de processamento e métodos de representação, também é possível produzir informações sobre ambientes de difícil acesso e fenômenos que não podem ser observados diretamente. No caso da Groenlândia, essas técnicas permitiram transformar medições da superfície do gelo em informações sobre o relevo oculto abaixo dela, demonstrando como a Cartografia e o Sensoriamento Remoto contribuem para compreender e representar diferentes características da superfície terrestre.


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