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Satélite

O que pode ser feito com Sentinel-1? Veja as aplicações

O que pode ser feito com Sentinel-1 inclui mapear enchentes, acompanhar deformações, monitorar cultivos, florestas, gelo, oceanos e gerar produtos altimétricos experimentais por interferometria SAR.

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O que pode ser feito com Sentinel-1? Veja as aplicações

6 de ago.
5 min de leitura

O que pode ser feito com Sentinel-1 vai muito além de produzir uma imagem em tons de cinza. O radar SAR da missão registra a resposta da superfície às micro-ondas e permite analisar água, rugosidade, umidade, estrutura dos alvos e mudanças ocorridas entre diferentes datas.


Como o sensor não depende da luz solar e consegue adquirir dados em condições de nebulosidade, o Sentinel-1 é valioso em regiões tropicais, em emergências, durante a noite e em análises que exigem séries temporais.


Figura 1 — Página oficial da ESA dedicada à missão Copernicus Sentinel-1.
Figura 1 — Página oficial da ESA dedicada à missão Copernicus Sentinel-1.

O que é o Sentinel-1?

Sentinel-1 é uma missão de observação da Terra do programa Copernicus. Seus satélites carregam radar de abertura sintética em banda C, capaz de adquirir imagens durante o dia, à noite e sob diferentes condições meteorológicas. No momento da geração deste documento, a continuidade operacional da missão é assegurada por Sentinel-1C e Sentinel-1D.


O Sentinel-1A encerrou sua vida operacional em 29 de junho de 2026, após doze anos de aquisições. O arquivo histórico permanece importante para análises multitemporais e estudos de longo prazo.


Figura 2 — Página da ESA que reúne exemplos de aplicações do Sentinel-1.
Figura 2 — Página da ESA que reúne exemplos de aplicações do Sentinel-1.

O que pode ser feito com Sentinel-1?

As principais aplicações estão relacionadas ao retroespalhamento, à polarização, à interferometria e à comparação temporal das imagens. A utilidade de cada produto depende do tipo de dado escolhido, do modo de aquisição, da polarização e das etapas de pré-processamento.


Monitorar terremotos, vulcões e deformações

A interferometria SAR compara a fase de duas ou mais aquisições SLC. Com geometria orbital compatível, é possível produzir interferogramas e estimar deslocamentos da superfície relacionados a terremotos, atividade vulcânica, subsidência e movimentação de encostas.


Figura 3 — Exemplo oficial de interferometria aplicada a estudos de terremotos.
Figura 3 — Exemplo oficial de interferometria aplicada a estudos de terremotos.

Monitorar gelo marinho, geleiras e icebergs

O radar é adequado para regiões polares porque funciona na escuridão e sob nuvens. As imagens podem apoiar mapas de gelo, rastreamento de icebergs, análise do deslocamento de geleiras e avaliação de mudanças na extensão e na dinâmica das superfícies congeladas.


Figura 4 — Aplicação do Sentinel-1 no monitoramento de gelo marinho.
Figura 4 — Aplicação do Sentinel-1 no monitoramento de gelo marinho.

Detectar óleo e alterações na superfície oceânica

Filmes de óleo reduzem pequenas ondas e modificam a rugosidade do mar, produzindo manchas escuras em determinadas condições. A análise deve considerar vento, correntes, áreas de calmaria e outros fenômenos que também podem criar assinaturas semelhantes.


Figura 5 — Uso de imagens Sentinel-1 para detectar e acompanhar óleo no oceano.
Figura 5 — Uso de imagens Sentinel-1 para detectar e acompanhar óleo no oceano.

Mapear enchentes e áreas inundadas

Superfícies de água calma normalmente devolvem pouca energia ao sensor e aparecem escuras. Essa característica pode ajudar a delimitar áreas alagadas, comparar o cenário antes e depois de uma chuva e apoiar respostas emergenciais quando sensores ópticos estão bloqueados por nuvens.


Figura 6 — Exemplo de monitoramento de áreas inundadas com Sentinel-1.
Figura 6 — Exemplo de monitoramento de áreas inundadas com Sentinel-1.

Estimar ventos sobre o oceano

A textura da superfície oceânica muda conforme o vento. Produtos especializados podem derivar velocidade e direção do vento, contribuindo para estudos meteorológicos, análise de ciclones e segurança marítima.


Figura 7 — Monitoramento de furacões a partir de dados Sentinel-1.
Figura 7 — Monitoramento de furacões a partir de dados Sentinel-1.

Detectar desmatamento e mudanças na cobertura

A comparação entre datas permite identificar alterações persistentes na resposta do radar. O método é útil para acompanhar perda de floresta, conversão para agricultura, queimadas com alteração estrutural e outras mudanças de uso da terra, inclusive sob cobertura frequente de nuvens.


Figura 8 — Aplicação do Sentinel-1 na identificação de mudanças florestais.
Figura 8 — Aplicação do Sentinel-1 na identificação de mudanças florestais.

Analisar agricultura e umidade superficial

O retroespalhamento varia com teor de água, rugosidade e estrutura da vegetação. Séries Sentinel-1 podem apoiar o acompanhamento de cultivos, alagamento de arrozais, preparo do solo e mudanças fenológicas, sobretudo em regiões nas quais a nebulosidade limita imagens ópticas.


Figura 9 — Exemplo de monitoramento agrícola com Sentinel-1.
Figura 9 — Exemplo de monitoramento agrícola com Sentinel-1.

Acompanhar subsidência e estabilidade de infraestrutura

Séries temporais InSAR podem revelar padrões lentos de rebaixamento ou elevação do terreno. A técnica é usada em estudos de mineração, extração de água subterrânea, barragens, aterros, encostas e áreas urbanas, mas a interpretação exige controle de coerência e validação de campo.


Figura 10 — Mapeamento de deslocamento do terreno produzido com Sentinel-1.
Figura 10 — Mapeamento de deslocamento do terreno produzido com Sentinel-1.

Acompanhar navios e atividades marítimas

Em contraste com a água escura, embarcações metálicas podem produzir retornos intensos. Isso permite localizar alvos, observar concentrações de navios e apoiar vigilância marítima, especialmente quando combinado com dados AIS e outras fontes de identificação.


Figura 11 — Exemplo de monitoramento de tráfego marítimo.
Figura 11 — Exemplo de monitoramento de tráfego marítimo.

Sentinel-1 pode gerar altimetria?

Sim, mas com restrições. A altimetria é obtida por interferometria SAR, com pelo menos duas imagens SLC da mesma área, mesma órbita relativa e geometria compatível. O produto SLC preserva amplitude e fase; uma única imagem GRD não contém a fase necessária para gerar um modelo de elevação.


O fluxo envolve corregistro, formação do interferograma, avaliação da coerência, filtragem, desenrolamento de fase, conversão de fase para elevação e correção do terreno. O resultado deve ser tratado como MDE ou MDS interferométrico experimental, não como levantamento topográfico, MDT de terreno nu ou substituto automático de GNSS e LiDAR.


Vegetação, água, mudanças entre as datas e baseline inadequada podem reduzir a coerência. Em muitos casos, a principal força do Sentinel-1 não é gerar um novo MDE, mas medir deslocamentos pequenos usando um MDE auxiliar para corrigir a contribuição topográfica.


Qual produto Sentinel-1 escolher?

Produto

O que preserva

Aplicações mais comuns

GRD

Amplitude detectada em geometria de alcance no terreno

Enchentes, água, agricultura, florestas, óleo e mudanças de cobertura

SLC

Amplitude e fase complexa

InSAR, deformação, coerência, subsidência e altimetria experimental

RAW

Dados brutos do instrumento

Processamento especializado e desenvolvimento de algoritmos


Figura 12 — Área do Copernicus Data Space sobre produtos e bursts SLC.
Figura 12 — Área do Copernicus Data Space sobre produtos e bursts SLC.

Pré-processamento necessário

Para análises GRD, um fluxo comum inclui aplicação de órbita, remoção de ruído térmico quando aplicável, calibração radiométrica, filtragem de speckle conforme o objetivo e correção do terreno. A saída pode ser convertida para sigma nought, gamma nought ou decibéis e exportada para GeoTIFF.

Para interferometria com SLC, o fluxo inclui TOPS Split, órbitas, Back Geocoding, Enhanced Spectral Diversity quando necessário, formação do interferograma, deburst, filtragem, desenrolamento de fase e correção geométrica. O SNAP oferece ferramentas para executar essas etapas.


Figura 13 — Página oficial da plataforma SNAP mantida pela ESA.
Figura 13 — Página oficial da plataforma SNAP mantida pela ESA.

Vantagens e limitações

Vantagens

Limitações

Aquisição diurna e noturna

A imagem não possui aparência fotográfica e exige interpretação SAR

Menor dependência de céu sem nuvens

Speckle e geometria lateral podem dificultar a análise

Arquivo histórico e dados abertos

Água, vegetação e mudanças rápidas podem reduzir a coerência

Útil em emergências e séries temporais

Layover e sombra radar afetam áreas de relevo acentuado

O que pode ser feito com Sentinel-1 depende do produto e da técnica utilizada. GRD atende muitas análises de retroespalhamento e mudanças da superfície. SLC permite interferometria, coerência e estudos de deformação. A missão é especialmente valiosa quando nuvens, escuridão ou necessidade de repetição temporal limitam sensores ópticos.


Para começar, escolha uma aplicação específica, baixe o produto correto no Copernicus Browser e processe os dados no SNAP. A validação deve considerar o comportamento físico do radar, o terreno e fontes auxiliares.


Acompanhe no vídeo o que pode ser feito com o Sentinel-1.

Referências

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