Os contratempos da Projeção de Mercator
Devido à impossibilidade matemática de representar com precisão uma superfície quase esférica como a da Terra em um plano, os cartógrafos geraram distorções inevitáveis no tamanho, na forma ou na localização dos continentes em seus mapas.
Com esse contexto, foram adaptadas várias projeções cartográficas, cada uma priorizando determinados aspectos do espaço geográfico conforme a necessidade técnica, política ou cultural de sua época.

No século XVI, Gerardus Mercator desenvolveu uma projeção cilíndrica com um propósito técnico específico: facilitar a navegação marítima. Essa técnica permitia que os navegadores seguissem direções em linha reta com a bússola, mas resultou em uma distorção progressiva à medida que as terras se afastam da linha do Equador em direção aos polos.
Por conta do traçado paralelo dos meridianos na projeção de Mercator, que na realidade se afunilam e se encontram nos polos, áreas localizadas em latitudes mais altas, como a Europa, a América do Norte e a Groenlândia, parecem significativamente maiores do que realmente são. Em contrapartida, regiões próximas ao Equador, como a África e a América do Sul, parecem menores em comparação. Essa distorção faz com que a Groenlândia e o continente africano pareçam ter proporções semelhantes no mapa, quando, na realidade, a África é cerca de 14 vezes maior.

Apesar dessa limitação dimensional, o modelo de Mercator tornou-se a representação padrão do planeta, sendo adotado em livros escolares e, mais recentemente, em aplicativos digitais como o Google Maps, moldando a percepção visual que a maioria das pessoas têm do mundo.
Diante desse cenário, movimentos como a campanha Correct The Map, apoiada por entidades como a organização Africa No Filter e a Comissão da União Africana, questionam a liderança contínua dessa projeção. Defensores da iniciativa argumentam que a proporção dos continentes envolve questões de poder e influência cultural, chegando a classificar o uso prolongado de Mercator como uma forma de desinformação visual.

A campanha propõe a adoção de projeções alternativas, como a Equal Earth, que preserva a proporção real das massas terrestres, para evitar que o continente africano e outras regiões equatoriais continuem a ser representados de forma reduzida em governos, escolas e empresas pelo mundo.

Referências:
BBC NEWS Brasil. https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy4dwjgpwkjo
Guia do Estudante. https://guiadoestudante.abril.com.br/curso-enem/projecoes-as-formas-de-representar-o-espaco-geografico/
Brasil Escola. https://brasilescola.uol.com.br/geografia/projecao-mercator.htm
Seattle Times. https://www.seattletimes.com/nation-world/african-union-wants-world-to-scrub-450-year-old-map/


