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Planta e memorial descritivo georreferenciados: por que são essenciais na usucapião

Saiba por que planta e memorial descritivo georreferenciados são essenciais para localizar o imóvel e identificar sobreposições na usucapião.

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Planta e memorial descritivo georreferenciados: por que são essenciais na usucapião

A apresentação de planta e memorial descritivo georreferenciados é uma das etapas mais importantes para a correta identificação de um imóvel em processos de usucapião e regularização fundiária.


Esses documentos não servem apenas para demonstrar o formato do terreno. Eles permitem determinar onde o imóvel está localizado, quais são seus limites, qual é sua área e como ele se relaciona com os lotes vizinhos e com o patrimônio público.


Sem essa identificação espacial, pode existir uma descrição aparentemente completa, mas incapaz de individualizar o imóvel com segurança.



O que são planta e memorial descritivo georreferenciados?

A planta georreferenciada é a representação gráfica do imóvel vinculada a um sistema de coordenadas.

Ela deve apresentar a poligonal, os vértices, as dimensões, os confrontantes, a orientação, a área e as demais informações necessárias à interpretação do levantamento.


O memorial descritivo apresenta os mesmos limites de forma textual. Nele são descritos os segmentos do perímetro, os vértices, as coordenadas, as distâncias e os confrontantes.


Quando produzidos corretamente, os dois documentos representam o mesmo imóvel.

A planta não pode indicar uma área enquanto as coordenadas formam outra. O memorial também não pode localizar a propriedade em endereço diferente daquele determinado pela poligonal.


A planta georreferenciada representa graficamente o imóvel, enquanto o memorial descritivo o descreve em texto. Ambos devem conter informações coerentes e representar exatamente os mesmos limites, coordenadas e área da propriedade.
A planta georreferenciada representa graficamente o imóvel, enquanto o memorial descritivo o descreve em texto. Ambos devem conter informações coerentes e representar exatamente os mesmos limites, coordenadas e área da propriedade.

Por que uma planta baixa não identifica um imóvel?

A planta baixa representa normalmente a distribuição interna de uma edificação: paredes, cômodos, portas, janelas e áreas construídas. Ela pode demonstrar como a construção está organizada, mas não informa necessariamente onde o terreno está localizado.


Também existem plantas de situação muito simplificadas, sem coordenadas, confrontantes ou referências suficientes para posicionar a propriedade.


Esses documentos podem integrar um processo, mas não substituem a planta cadastral georreferenciada.

Para individualizar territorialmente o imóvel, é necessário definir a posição de seus vértices e o posicionamento completo da poligonal.


Planta e memorial descritivo georreferenciados na usucapião

A usucapião pode reconhecer a aquisição da propriedade em razão do exercício prolongado da posse, desde que os requisitos legais aplicáveis sejam demonstrados. Entretanto, antes de reconhecer a propriedade, é necessário saber exatamente qual área está sendo discutida.


A posse relatada pelas partes precisa ser relacionada a uma parcela territorial definida. Caso contrário, não será possível verificar se o imóvel descrito corresponde à área efetivamente ocupada.


A Constituição Federal estabelece que imóveis públicos não podem ser adquiridos por usucapião.

Por esse motivo, a delimitação técnica deve permitir a verificação de eventual sobreposição com ruas, praças, áreas verdes, equipamentos públicos e outros imóveis pertencentes ao poder público.


A usucapião exige a identificação precisa da área ocupada. Como imóveis públicos não podem ser adquiridos por usucapião, a delimitação técnica deve permitir verificar se há sobreposição com ruas, praças, áreas verdes ou outros bens públicos.
A usucapião exige a identificação precisa da área ocupada. Como imóveis públicos não podem ser adquiridos por usucapião, a delimitação técnica deve permitir verificar se há sobreposição com ruas, praças, áreas verdes ou outros bens públicos.

O que muda quando o imóvel está em um loteamento?

Nos loteamentos registrados, determinadas áreas previstas no projeto e no memorial descritivo passam a integrar o domínio municipal. O artigo 22 da Lei nº 6.766/1979 inclui, entre essas áreas, vias, praças, espaços livres e áreas destinadas a edifícios públicos e equipamentos urbanos.


Assim, não basta verificar os muros existentes atualmente.


É necessário comparar o levantamento do imóvel com o projeto legal do loteamento. Um muro pode ter sido construído fora do limite aprovado, avançando sobre outro lote ou sobre uma área pública.

O limite físico observado em campo e o limite jurídico constante do loteamento podem ser diferentes.


Usucapião e Reurb são a mesma coisa?

Não. A usucapião e a Regularização Fundiária Urbana possuem fundamentos, procedimentos e finalidades próprias.

Apesar dessa diferença jurídica, ambas dependem de uma identificação territorial confiável. Na Reurb, cuja principal legislação é a Lei Federal nº 13.465/2017, exige-se elementos como medidas perimetrais, área total, confrontantes e coordenadas georreferenciadas dos vértices definidores dos limites.


Os mesmos elementos são tecnicamente importantes na usucapião, especialmente quando é necessário verificar se a área pretendida invade um imóvel vizinho ou um bem público. Utilizar critérios técnicos semelhantes não significa confundir os dois institutos. Significa aplicar procedimentos cartográficos capazes de produzir uma delimitação objetiva e verificável.


Por que os sistemas de coordenadas precisam ser compatíveis?

Uma comparação geoespacial somente é confiável quando os dados utilizados estão no mesmo sistema de referência ou foram corretamente transformados.


Quando a planta do imóvel utiliza um sistema e a base do loteamento utiliza outro, as duas informações podem aparecer deslocadas.


Também podem ocorrer erros quando o profissional não informa o datum, confunde coordenadas geográficas com coordenadas projetadas ou troca a ordem dos valores.

Para comparar o imóvel levantado com a base cadastral, ambos precisam estar referenciados de forma compatível.


Essa compatibilidade permite identificar:

  • sobreposição com lotes confrontantes;

  • ocupação de ruas ou áreas públicas;

  • deslocamento da poligonal;

  • incompatibilidade entre endereço e coordenadas;

  • diferenças entre a área declarada e a calculada.


Uma comparação geoespacial confiável exige que todos os dados estejam no mesmo sistema de referência. Essa compatibilidade permite identificar sobreposições, ocupação de áreas públicas, deslocamentos da poligonal, incompatibilidades entre endereço e coordenadas e diferenças de área.
Uma comparação geoespacial confiável exige que todos os dados estejam no mesmo sistema de referência. Essa compatibilidade permite identificar sobreposições, ocupação de áreas públicas, deslocamentos da poligonal, incompatibilidades entre endereço e coordenadas e diferenças de área.

O memorial descritivo garante que o levantamento está correto?

Não necessariamente. Um memorial pode apresentar coordenadas formalmente organizadas e ainda conter erros de digitação, sistema de referência, sequência dos vértices ou cálculo da área. Por isso, a documentação precisa ser submetida a uma análise técnica.


O analista deve reconstruir a poligonal, calcular sua área, verificar seu fechamento, avaliar a correspondência com a planta e comparar o resultado com as bases territoriais disponíveis.


A análise precisa ser objetiva e reproduzível. Outro profissional, utilizando os mesmos dados e métodos, deve conseguir chegar a resultados compatíveis.


Documentos coerentes reduzem riscos

A apresentação de planta e memorial descritivo georreferenciados ajuda a responder perguntas fundamentais:


  • Onde o imóvel realmente está?

  • Qual área está sendo objeto da ação?

  • Quais são os seus confrontantes?

  • A poligonal invade outro lote?

  • Existe ocupação de rua ou área pública?

  • O endereço informado corresponde às coordenadas?

  • Quando essas perguntas não podem ser respondidas, a regularização pode permanecer inconclusiva até que a documentação seja corrigida.


O georreferenciamento não é apenas uma exigência formal. Ele é o instrumento que permite relacionar a narrativa jurídica da posse com uma parcela real e determinada do território.

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