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Satélites da NASA revelam perda acelerada de água doce nos continentes

Dados de mais de duas décadas das missões GRACE e GRACE-FO mostram que a perda de água doce nos continentes está se acelerando. O fenômeno já formou quatro grandes regiões de secagem no Hemisfério Norte e afeta países onde vivem cerca de 75% da população mundial.

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Satélites da NASA revelam perda acelerada de água doce nos continentes

Um estudo publicado na revista Science Advances, liderado pela Arizona State University com participação de pesquisadores do Jet Propulsion Laboratory da NASA e de instituições internacionais, revelou que os continentes da Terra tem perda de água doce nos continentes em um ritmo sem precedentes desde 2002, com uma aceleração marcante por volta de 2014 e 2015


A pesquisa utilizou mais de duas décadas de dados das missões GRACE e GRACE-FO, desenvolvidas por meio da cooperação científica entre os Estados Unidos e a Alemanha. A missão GRACE-FO, sigla de Gravity Recovery and Climate Experiment Follow-On, é uma parceria entre a NASA e o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, o GFZ. Seus dois satélites voam em formação e registram pequenas alterações no campo gravitacional da Terra, permitindo acompanhar mudanças no ciclo da água e no clima.


Os dois satélites da missão GRACE-FO seguem um ao outro na órbita terrestre, mantendo distância aproximada de 220 quilômetros. Fonte: NASA/JPL-Caltech.
Os dois satélites da missão GRACE-FO seguem um ao outro na órbita terrestre, mantendo distância aproximada de 220 quilômetros. Fonte: NASA/JPL-Caltech.

Ao detectar pequenas variações no campo gravitacional causadas pela massa de água em movimento, esses satélites conseguem medir a quantidade total de água nos continentes, incluindo aquíferos subterrâneos, umidade do solo, rios, lagos e neve.

Um dos resultados de maior impacto mostra que a perda de água armazenada nos continentes passou a contribuir mais para a elevação do nível do mar do que cada uma das grandes calotas de gelo da Groenlândia e da Antártida considerada individualmente. Além disso, as áreas em processo de secagem se expandem anualmente por uma extensão equivalente a cerca de duas vezes o tamanho do estado da Califórnia, impulsionadas por um desequilíbrio em que as regiões secas perdem água muito mais rápido do que as áreas úmidas conseguem acumular.


A figura mostra as tendências de longo prazo do armazenamento de água terrestre obtidas a partir do GRACE/FO, com médias calculadas para cada país (fev. de 2003 a abr. de 2024). Fonte: Arizona State University.
A figura mostra as tendências de longo prazo do armazenamento de água terrestre obtidas a partir do GRACE/FO, com médias calculadas para cada país (fev. de 2003 a abr. de 2024). Fonte: Arizona State University.

Esse fenômeno fez com que antigos focos de seca isolados se conectassem, formando quatro gigantescas regiões continentais de mega-seca no Hemisfério Norte. A primeira abrange o norte do Canadá e o Alasca; a segunda cobre o norte da Rússia; a terceira conecta o sudoeste da América do Norte à América Central; e a quarta representa uma faixa contínua que une o Norte da África, Europa, Oriente Médio, Ásia Central, China, Sul e Sudeste Asiático.


A dimensão humana dessa transformação é alarmante pois cerca de 75% da população mundial vive nos 101 países que estão perdendo reservas de água doce. Isso significa que o problema afeta diretamente regiões populosas, megacidades, grandes polos agrícolas e locais que dependem de aquíferos subterrâneos para o consumo humano e a produção de alimentos.


O grande valor dessa pesquisa é jogar luz sobre um problema que costuma ser invisível. Diferente de enchentes, queimadas ou rios secos, a perda de água no subsolo acontece sem alarde, mas pode colocar em risco o abastecimento de regiões inteiras.


Monitorando a Terra do espaço, os satélites GRACE mostraram que o planeta está perdendo água doce continental em um ritmo preocupante. O ponto mais crítico nem é apenas a seca isolada em si, mas a união de antigos focos secos que acabaram formando regiões de mega-seca no Hemisfério Norte. A mensagem dos cientistas é clara: a crise da água virou um desafio global, e a forma como cidades, indústrias e a agricultura usam esse recurso será determinante para o nosso futuro.


Referências:



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